Quando levar seu filho ao oftalmologista? Sinais que os pais devem observar.

Dra. Karla a examinar os olhos de um menino utilizando uma lâmpada de fenda num consultório.

A criança não precisa apresentar dificuldade para enxergar para passar por uma avaliação oftalmológica. 

Algumas alterações podem afetar apenas um dos olhos ou se desenvolver sem sintomas perceptíveis. Por isso, as consultas programadas são tão importantes quanto a observação dos sinais. 

Preparamos este guia para ajudar pais e cuidadores a entender quando levar a criança ao oftalmologista.

Quando deve acontecer a primeira avaliação dos olhos?

O primeiro cuidado com a saúde ocular é o Teste do Reflexo Vermelho, conhecido como teste do olhinho. Ele deve ser realizado nas primeiras 72 horas de vida ou antes da alta da maternidade, geralmente é realizado pelo pediatra.

Para crianças sem sintomas ou fatores de risco conhecidos, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica recomenda que um exame oftalmológico completo possa ser realizado entre 6 e 12 meses. Outra avaliação deve acontecer entre 3 e 5 anos, idealmente aos 3.

Na R&D Oftalmologia, recomendamos o acompanhamento anual, principalmente nos primeiros oito anos de vida, período importante para o desenvolvimento da função visual.

Crianças prematuras, com histórico familiar de alterações oculares ou com alguma condição que possa afetar a visão podem precisar de uma avaliação mais precoce e de um acompanhamento individualizado.

O teste do olhinho substitui a consulta com o oftalmologista?

Não. O teste do olhinho é uma triagem que permite observar o reflexo gerado pela entrada de luz nos olhos. Alterações nesse reflexo podem estar relacionadas a condições como catarata congênita, glaucoma congênito e retinoblastoma.

Quando o resultado é alterado ou duvidoso, o bebê precisa ser encaminhado ao oftalmologista para uma avaliação completa.

Mesmo quando o teste apresenta resultado normal, ele não avalia todos os aspectos da visão. Na consulta, o oftalmologista consegue examinar as estruturas dos olhos, medir o grau, avaliar o alinhamento ocular e observar o fundo do olho de forma mais detalhada.

Como saber se um bebê está enxergando bem?

Antes de aprender a falar, o bebê demonstra como utiliza a visão pela maneira como responde aos estímulos ao seu redor. Aos poucos, ele começa a fixar o olhar, acompanhar rostos e objetos e tentar alcançar brinquedos.

Essas respostas visuais participam também do desenvolvimento motor. A criança vê um objeto, demonstra interesse por ele e começa a organizar os movimentos necessários para alcançá-lo.

Alguns sinais merecem ser conversados com o pediatra e o oftalmologista, como:

  • não fazer contato visual nos primeiros meses;

  • não acompanhar rostos, luzes ou objetos;

  • não demonstrar interesse por estímulos visuais;

  • apresentar movimentos repetitivos ou descoordenados dos olhos;

  • manter um dos olhos desviado;

  • demonstrar atraso em marcos do desenvolvimento.

Cada criança tem seu ritmo, e um atraso motor não significa necessariamente que exista uma alteração visual. 

Nesses casos, o exame oftalmológico pode fazer parte da investigação, ajudando a verificar se há alguma questão relacionada ao grau, à função visual ou às estruturas dos olhos.

Seu filho nunca reclamou da visão? Isso não significa que ele enxergue bem

Não é incomum encontrar durante a consulta uma diferença importante entre os dois olhos que ainda não havia sido percebida pela família.

Quando um dos olhos não enxerga bem, seja por um grau elevado, estrabismo ou outra alteração, o cérebro pode utilizar preferencialmente a imagem do olho com melhor visão. A criança continua brincando, estudando e realizando suas atividades sem perceber que um dos olhos está sendo menos utilizado.

Se isso acontece durante o período de desenvolvimento da visão, pode surgir a ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”. Quanto mais cedo a causa é identificada e tratada, maiores são as possibilidades de favorecer o desenvolvimento visual do olho afetado.

É por isso que a ausência de queixas não substitui o exame oftalmológico.

Quais sinais os pais devem observar?

Os sinais podem variar conforme a idade. Um comportamento isolado não confirma que exista uma alteração, mas sua repetição ou associação com outras dificuldades merece atenção.

  • Aproximar muito os objetos do rosto

Segurar livros, brinquedos ou telas muito perto dos olhos pode indicar dificuldade para enxergar com nitidez.

  • Não conseguir enxergar a lousa

Pedir para sentar mais perto, copiar a matéria do colega ou reclamar que as palavras estão embaçadas pode estar relacionado à miopia ou a outra alteração visual.

  • Apertar ou fechar um dos olhos

A criança pode apertar os olhos para tentar melhorar o foco ou fechar um deles quando existe diferença visual, desconforto ou visão dupla.

  • Inclinar a cabeça para enxergar

Manter a cabeça virada ou inclinada durante a leitura, ao assistir à televisão ou ao observar objetos pode ser uma forma de compensar uma dificuldade visual ou de alinhamento dos olhos.

  • Apresentar dores de cabeça frequentes

Dores de cabeça depois de ler, estudar ou utilizar o computador podem ter relação com esforço visual, embora também possam apresentar outras causas. A avaliação oftalmológica ajuda a fazer essa diferenciação.

  • Esfregar ou piscar os olhos repetidamente

Esse comportamento pode estar associado a irritação, alergia, cansaço visual ou dificuldade para enxergar, principalmente quando persiste ou aparece com vermelhidão e lacrimejamento.

  • Demonstrar dificuldade durante a leitura

Perder a linha, aproximar muito o rosto da página, fechar um dos olhos ou cansar rapidamente pode indicar a necessidade de uma avaliação.

Nem toda dificuldade de leitura ou aprendizagem tem origem nos olhos. O exame permite identificar ou excluir a participação de um fator visual.

  • Tropeçar ou esbarrar com muita frequência

Quedas fazem parte da infância. No entanto, dificuldade persistente para perceber obstáculos, degraus ou distâncias pode estar relacionada à visão.

  • Apresentar desvio dos olhos

Um olho que se desvia para dentro, para fora, para cima ou para baixo deve ser avaliado, mesmo que o desvio apareça apenas em alguns momentos.

Algumas características do rosto dos bebês podem criar a impressão de olhos desalinhados, situação chamada pseudoestrabismo. O exame oftalmológico é o que permite fazer essa diferenciação.

  • Demonstrar sensibilidade excessiva à luz

Fechar os olhos, virar o rosto ou lacrimejar intensamente em ambientes iluminados pode indicar sensibilidade à luz, principalmente quando há também dor ou vermelhidão.

O reflexo branco nas fotografias merece atenção?

Uma pupila que aparece branca em fotografias, em vez de avermelhada ou escura, deve ser observada. Esse sinal é chamado de leucocoria e pode estar relacionado a diferentes alterações oculares, como catarata e condições da retina, entre elas o retinoblastoma.

O ângulo da câmera ou a iluminação podem produzir reflexos diferentes em uma imagem isolada. Entretanto, se a pupila branca aparecer repetidamente, principalmente no mesmo olho, a criança deve ser examinada sem demora.

Não é necessário tentar interpretar a imagem em casa. Guarde as fotografias para mostrá-las ao médico durante a avaliação.

Quais situações precisam de avaliação mais rápida?

Algumas mudanças não devem aguardar a próxima consulta de rotina. Procure atendimento oftalmológico com rapidez se a criança apresentar:

  • perda ou redução súbita da visão;

  • reflexo branco recorrente em fotografias;

  • desvio ocular que surgiu repentinamente;

  • dor intensa nos olhos;

  • vermelhidão acompanhada de dor, sensibilidade à luz ou piora visual;

  • dificuldade ou recusa em abrir um dos olhos;

  • alteração recente no tamanho ou no formato das pupilas;

  • trauma;

  • contato dos olhos com produtos químicos.

Em caso de contato com produto químico, lave imediatamente os olhos com água corrente em abundância e procure atendimento. Não espere para começar a lavagem e não aplique colírios ou outras substâncias sem orientação.

Após uma pancada ou acidente, não pressione os olhos nem tente retirar objetos que estejam presos. Mesmo quando a lesão parece pequena, pode ser necessário avaliar as estruturas internas.

Como é feito o exame oftalmológico infantil?

O exame é adaptado à idade e à capacidade de comunicação da criança. Mesmo um bebê que ainda não fala pode ter sua visão avaliada.

Durante a consulta, o oftalmologista observa como a criança fixa e acompanha objetos, examina o alinhamento e a movimentação dos olhos e utiliza testes adequados para cada fase do desenvolvimento.

A avaliação também pode incluir a medição do grau com dilatação das pupilas e o exame do fundo do olho. Os pais participam informando como foram a gestação e o nascimento, o histórico familiar e os comportamentos percebidos em casa ou na escola.

Quando levar seu filho ao oftalmologista, afinal?

O acompanhamento deve começar no nascimento, com o teste do olhinho, e continuar com exames oftalmológicos completos ao longo da infância. Não é necessário esperar uma reclamação, uma dificuldade na escola ou uma alteração visível nos olhos.

As consultas programadas permitem avaliar o desenvolvimento da visão. Já os sinais observados em casa ajudam a identificar quando essa avaliação precisa ser antecipada.

Na R&D Oftalmologia, em Moema, São Paulo, o atendimento infantil é conduzido de acordo com a idade e o momento de desenvolvimento de cada criança. A consulta também reserva espaço para que os pais compartilhem suas observações, compreendam os resultados e recebam orientações sobre o acompanhamento. 

Se seu filho ainda não passou por uma avaliação oftalmológica completa ou se você percebeu alguma mudança em seu comportamento visual, entre em contato com a nossa equipe.

Diretoras Técnicas R&D Oftalmologia

Dra. Letícia Rubman - CRM SP 142623 - RQE 75069

Dra. Karla Drummond - CRM SP 181333 - RQE 78729

A R&D Oftalmologia está localizada na Avenida Pavão, 955, salas 47 e 48, em Moema, São Paulo.

Referências

  • Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica; Sociedade Brasileira de Pediatria. Diretriz Brasileira acerca da periodicidade do exame oftalmológico nas crianças saudáveis na primeira infância. 2023. Disponível em: SBOP.

  • Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica. Quando devo levar meu filho ao oftalmologista? Disponível em: SBOP – Área do Paciente.

  • Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica. Sinais de problema de visão em crianças. 2024. Disponível em: SBOP.

  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Guia informativo para o diagnóstico precoce de retinoblastoma. 2023. Disponível em: SBP.

  • Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica. Trauma ocular na criança. 2023. Disponível em: SBOP.