Nova terapia para DMRI úmida pode reduzir o número de injeções intravítreas

4 de mai. de 2026

Nova terapia para DMRI úmida pode reduzir o número de injeções intravítreas

A degeneração macular relacionada à idade do tipo úmida (DMRI úmida) é uma das principais causas de perda visual em pessoas acima dos 60 anos.

Nas últimas décadas, os medicamentos anti-VEGF transformaram o tratamento da condição, permitindo controle da atividade e preservação visual em muitos casos. No entanto, a necessidade de aplicações frequentes ainda representa um desafio relevante para pacientes, familiares e serviços de saúde.

Recentemente, uma nova tecnologia em fase de pesquisa clínica tem chamado atenção por propor um regime com menor número de injeções ao longo do ano. Mas o que, de fato, está sendo estudado  e o que isso pode significar para o futuro do tratamento da DMRI?

Por que o tratamento da DMRI úmida exige aplicações frequentes?

A DMRI úmida ocorre devido ao crescimento anormal de vasos sanguíneos sob a retina, estimulado principalmente pelo fator de crescimento endotelial vascular (VEGF). Os medicamentos atuais atuam bloqueando esse fator, reduzindo o vazamento de fluido e a progressão da condição.

Dependendo do protocolo terapêutico, o tratamento pode envolver aplicações mensais na fase inicial, evoluindo para esquemas de 6 a 12 injeções por ano, com monitorização regular por exames de imagem, como a tomografia de coerência óptica (OCT).

Embora eficazes, esses esquemas podem representar uma sobrecarga logística significativa, gerando fadiga terapêutica e dificuldade de adesão ao longo do tempo. Esse cenário impulsiona a busca por terapias com maior durabilidade de ação.

O que é o AXPAXLI™ (OTX-TKI)?

O AXPAXLI™ (OTX-TKI) é um tratamento em investigação desenvolvido pela Ocular Therapeutix. Trata-se de um implante intravítreo à base de hidrogel bioabsorvível contendo axitinibe, um inibidor de tirosina quinase que atua nos receptores VEGFR-1, VEGFR-2, VEGFR-3 e PDGFR.

Diferentemente dos anti-VEGF convencionais, que atuam de forma extracelular, o axitinibe age em vias intracelulares relacionadas à angiogênese. A tecnologia utiliza a plataforma ELUTYX™, projetada para permitir a liberação sustentada do medicamento no interior do olho.

O AXPALI™ ainda está em fase de estudos clínicos e não possui aprovação regulatória até o momento. As informações apresentadas aqui refletem o estado

O que os estudos clínicos estão avaliando?

Ensaios clínicos de Fase 3 estão em andamento para avaliar a segurança, a tolerabilidade e a eficácia do AXPAXLI™ na DMRI úmida, com potencial extensão para a retinopatia diabética. Os protocolos buscam verificar se é possível manter estabilidade visual e controle anatômico sustentado com menor frequência de reaplicações.

Em alguns modelos de estudo, a proposta teórica envolve 1 a 2 aplicações por ano. No entanto, os dados ainda estão em avaliação e os resultados finais dependem de análise pelas autoridades regulatórias competentes.

O que isso pode mudar no tratamento da degeneração macular?

Caso terapias de liberação prolongada se mostrem seguras e eficazes em estudos conclusivos, elas poderão reduzir a necessidade de visitas frequentes e diminuir a carga terapêutica anual, fatores que influenciam diretamente a adesão ao tratamento e a qualidade de vida do paciente.

É importante considerar, no entanto, que mesmo com avanços tecnológicos, a DMRI úmida permanece uma condição crônica. O acompanhamento regular com especialista em retina continua sendo indispensável, independentemente do protocolo terapêutico adotado. A escolha da melhor estratégia de tratamento é sempre individualizada, considerando o perfil clínico, as condições de vida e as preferências de cada paciente.

Conclusão

Os tratamentos baseados em anti-VEGF já representam um avanço consolidado no manejo da DMRI úmida. A investigação de terapias de ação prolongada, como o AXPAXLI™, reflete a evolução contínua da oftalmologia na busca por protocolos mais sustentáveis para o paciente.

Como todo medicamento em desenvolvimento, o AXPAXLI™ ainda depende de resultados finais e aprovação regulatória. Acompanhar essas novidades com critério científico  e traduzi-las de forma individualizada para cada paciente  é parte essencial do cuidado especializado em retina.

Na R&D Oftalmologia, a Dra. Karla Drummond e a Dra. Letícia Rubman são especialistas em retina, membros do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, e acompanham de forma individualizada as opções terapêuticas mais atuais, sempre fundamentadas em envidência científica. 

Dra. Karla Drummond – CRM SP 181333 – RQE 78729

Dra. Letícia Rubman – CRM SP 142623 – RQE 75069

Referências: 

Ocular Therapeutix — página oficial do AXPAXLI Informações sobre o mecanismo de ação, plataforma ELUTYX™ e status dos ensaios clínicos. → ocutx.com/pipeline/axpaxli

Ophthalmology Times — SOL-1 Phase 3 trial Cobertura jornalística especializada sobre o andamento do estudo registracional, randomização e cronograma de submissão do NDA à FDA. → ophthalmologytimes.com

Ophthalmology Times — SOL-R Phase 3 trial Detalhes sobre o segundo estudo registracional, protocolo de redosagem e encerramento do recrutamento. → ophthalmologytimes.com